Quando eu tinha uns 12 anos ganhei na escola um cupom para fazer um curso especial, um tipo de clínica de futebol. Minha empolgação esbarrou nas letras miudas na parte de baixo do cupom, que informavam que a promoção só tinha validade caso eu levasse mais 10 pessoas comigo, além de pagar uma módica quantia em dinheiro da época, claro.

A frustração da minha infância me fez criar um tipo de resistência quase patológica a todo tipo de programa de compra coletiva, como inscrição em cursos, por exemplo. Quando eu vejo que para o curso (ou a venda) acontecer é preciso ter um número específico de interessados já sinto um frio na espinha.

Mas a parte boa é que para cada patologia há um remédio, e as compras coletivas voltaram à minha vida graças às mídias sociais. No momento em que os sites de compra coletiva bombam nos EUA e começam a despontar também no Brasil, vejo que ainda há uma saída: é possível juntar a galera para comprar.

Sites de compra coletiva, fique de olho:

- ClickOn
- Compra3
- Peixe Urbano
- Twongo
- Living Social
- GroupOn

Na realidade, as redes sociais sempre foram peça fundamental neste processo. A minha família, meus amigos de escola e meus amigos da rua compunham a minha rede social, digamos, acessível, quando eu era criança. Agora com a midiatização das redes parece que as coisas ficaram mais fáceis.

Usar a internet para o sistema de compra coletiva é uma das famosas tacadas “ganha-ganha”. Todo mundo fica feliz.

Primeiro o consumidor, que sabe que pode contar com sua comunidade do Orkut, seus amigos do Facebook e Twitter, ou aquele fórum ou grupo de discussão por e-mail. É bom também para o próprio site de compra coletiva, que pode anunciar para o nicho específico aquela oferta e consegue ampliar sua audiência, podendo ganhar mais com publicidade e outras promoções. E o comerciante também ganha, já que ele vende o seu produto, faz com que sua marca e seu serviço sejam mais conhecidos… ganha mídia.

O que acontece aqui é uma união do boca-a-boca com a propaganda que sempre dá resultados positivos. O grande barato das mídias digitais é justamente essa junção do potencial de alcance e volume da propaganda com o potencial relacional das conversas nas redes.

Um dos responsáveis pela área de comunicação e relações públicas da Disney, Duncan Wardle, falou no ano passado “people no longer trust brands”, fazendo uma alusão à importância do boca-a-boca e da comunicação em mídias sociais. E a expressão é cada vez mais comum na rede, sobretudo nas agências digitais.

Eu não acho que seja tanto assim. As pessoas ainda consomem publicidade, meios de massa, etc. Mas o papel das redes sociais no processo de decisão de compra sempre foi muito relevante. Você sempre consultou a sua rede social para comprar as coisas, para tomar decisões. Sempre pediu opinião para seu pai, seus irmãos, seus amigos. O que as pessoas fazem agora é usar a sua rede mais acessível na web, midiatizada, neste processo.

7 JUN 2010
13:14 GMT -0300

Egotrip 2.0

Por Bruno Scartozzoni

Se você tuíta muito sobre você mesmo (seus sentimentos, suas opiniões, suas coisas) e está difícil de conseguir seguidores, agora está tudo explicado!

Um estudo abrangendo 60 mil tuíteiros descobriu uma relação interessante entre o tipo de tuítes e a quantidade de followers. Quanto mais “eu” você escrever, menos seguidores terá. O outro lado da moeda é que quanto mais “você” e “nós” forem utilizados, maior a chance de ser seguido.

No final das contas acho que isso vale para qualquer tipo de amizade, via Twitter, via faculdade, via trabalho etc.

youmevia

postado originalmente no Update or Die

31 MAY 2010
18:08 GMT -0300

Neurônios Espelhos

Por Bruno Scartozzoni

No nosso cérebro os neurônios espelhos são responsáveis pela imitação. Você vê alguém pegando um objeto no chão e, para esses neurônios, é como se você estivesse fazendo exatamente a mesma coisa, apesar de estar só observando.

Esse mecanismo conferiu ao ser humano uma habilidade de aprendizado muito grande. Imagine, lá no tempo das cavernas, que alguém acidentalmente descobre o processo do fogo. Ao invés de explicar para cada pessoa da tribo como funciona, basta que as pessoas observem para aprender, e logo o conhecimento se espalha de forma exponencial.

Mas não para por aí. Outro mecanismo interessante é que, por exemplo, ao vermos alguém ser tocado no braço, esses neurônios são ativados de forma a reproduzir a sensação do toque, exatamente no mesmo lugar. Em outras palavras, empatia. E isso  inclusive tem aplicações práticas na medicina, em casos de pessoas amputadas que continuam sentindo dor nos membros que não existem mais.

Se consegui te deixar curioso, não perca essa palestra do TED, de um neurocientista que defende a tese de que os neurônios espelhos praticamente moldaram nossa civilização.

Imagem de Amostra do You Tube

E para finalizar, dois pontos extra-vídeo:

1) Para quem trabalha com marketing e comunicação dá para imaginar como os neurônios espelhos são importantes para disseminar comportamentos de consumo. Por exemplo, uma nova forma diferente de abrir uma embalagem ou de usar um produto.

2) Já na área do cinema e da TV, os neurônios espelhos têm uma importância crucial para colocar o espectador dentro de um universo. Quando assistimos na tela um ator fazer alguma coisa, lá estão nossos neurônios espelhos sendo ativados, como se nós estivéssemos lá.

postado originalmente no Update or Die